A política é indispensável para a vida em sociedade. É por meio dela que decidimos os rumos da educação, da saúde, da economia, da segurança e de tantos outros aspectos que impactam diretamente a vida de todos. Por isso, posicionar-se politicamente não é apenas um direito, mas também um dever de cidadania. O problema começa quando a convicção dá lugar ao fanatismo e o debate é substituído pela idolatria.
Nos últimos anos, a polarização política transformou diferenças de opinião em barreiras quase intransponíveis. Amigos deixam de conversar, famílias rompem laços e o diálogo cede espaço à hostilidade. Em vez de avaliar ideias, muitos passaram a defender pessoas como se fossem infalíveis, ignorando erros quando cometidos pelo grupo ao qual pertencem e condenando sem ponderação aqueles que pensam diferente.
O filósofo Aristóteles já ensinava que “a virtude está no meio”, lembrando que os extremos frequentemente nos afastam da prudência e do equilíbrio. Essa reflexão continua atual, ter princípios e defender valores é saudável, mas transformar qualquer líder político em objeto de devoção compromete a capacidade crítica e enfraquece a própria democracia.
Nenhum governante é perfeito. Nenhum partido detém sozinho a verdade. Quando o cidadão perde a capacidade de reconhecer os acertos e os erros de todos os lados, deixa de agir como um participante consciente da vida pública para tornar-se apenas um defensor incondicional de um grupo. O fanatismo político, assim como qualquer outro tipo de fanatismo, impede a autocrítica, alimenta a intolerância e enfraquece as instituições democráticas.
Uma sociedade madura precisa de cidadãos críticos, não de torcedores. Precisa de pessoas capazes de elogiar boas decisões, independentemente de quem as tenha tomado, e de cobrar responsabilidades sempre que necessário. A democracia se fortalece quando o debate é pautado por argumentos, respeito e compromisso com o bem comum, e não por paixões cegas.
Posicionar-se é sinal de responsabilidade. Permanecer aberto ao diálogo é sinal de sabedoria. Defender ideias é legítimo; idolatrar pessoas é perigoso. Quando colocamos a verdade, a justiça e o bem comum acima de líderes e partidos, construímos uma sociedade mais livre, mais equilibrada e verdadeiramente democrática.
